Caligrafia e Lettering: Por Onde Começar
Caligrafia

Caligrafia e Lettering: Por Onde Começar

Não é preciso ter boa letra para fazer caligrafia. A diferença entre caligrafia, lettering e boa letra, e porque se deve começar por traços e não por letras.

Neste artigo

Caligrafia assusta as pessoas por uma razão errada. Assumem que é preciso ter boa letra para começar, quando na verdade é quase o contrário: a caligrafia é uma técnica de desenho de letras, e tem pouco a ver com a letra corrente de cada um.

Conheço pessoas com letra ilegível que fazem caligrafia muito bonita. São coisas diferentes, feitas devagar e depressa respectivamente.

O que vai aprender neste artigo
  • A diferença entre caligrafia, lettering e boa letra
  • Que instrumento usar para começar, e porquê
  • Porque é que o papel importa mais aqui do que em qualquer outra coisa
  • Os primeiros exercícios que fazem sentido

Três coisas diferentes

Caligrafia é escrever letras segundo um sistema, com um instrumento que produz variação de espessura. As letras seguem regras de forma e proporção. Escreve-se, não se desenha.

Lettering é desenhar letras. Cada letra é construída, ajustada, preenchida. É mais próximo de ilustração e não exige domínio de instrumento.

Boa letra é escrita corrente legível e consistente. Não precisa de instrumento especial nem de técnica, precisa de lentidão e de consistência de forma.

Quem quer melhorar a letra do dia a dia não precisa de caligrafia, precisa de escrever mais devagar. Quem quer fazer cabeçalhos bonitos quer lettering. Caligrafia é para quem quer a coisa em si.

Por onde começar mesmo Não comece por letras. Comece por traços: linhas verticais paralelas, curvas iguais, espaçamento constante. Duas semanas de traços fazem mais pela caligrafia de alguém do que dois meses a copiar alfabetos, porque o problema quase nunca é a forma da letra, é o controlo da mão.

Instrumentos

Caneta de tinta permanente com nib fino

É por onde recomendo começar, e a razão é prática: exige menos preparação do que qualquer alternativa e usa-se todos os dias, o que multiplica as horas de prática.

A Kaweco CLASSIC SPORT (€30,00) é compacta, equilibrada e das melhores portas de entrada que existem. Com nib fino, obriga a menos pressão, e menos pressão é metade do caminho para letra consistente.

A MD Fountain Pen (€44,00) é a alternativa mais leve, desenhada para escrever sobre papel MD.

Caderno de prática

O Calligraphy Practice Notebook (€25,00) tem papel preparado para tinta e uma estrutura pensada para repetição, que é exactamente o que a caligrafia exige nos primeiros meses.

Régua para linhas-guia

Traçar linhas-guia à mão é o que separa uma página de prática útil de uma página torta. A YSTUDIO Brassing Ruler (€20,00) em latão não se move enquanto traça, ao contrário de uma régua de plástico leve.

O papel importa mais aqui

Em caligrafia, papel mau destrói trabalho bom. Uma tinta que alastra transforma um traço fino num borrão, e nenhuma técnica compensa isso.

São precisas três coisas: superfície que não deixe a tinta espalhar, gramagem que aguente tinta líquida, e textura que dê alguma resistência ao instrumento sem o travar.

O MD Paper Pad A4 liso (€19,00) é a escolha certa para praticar: folha solta, papel japonês, e liso porque linhas impressas atrapalham quando se está a trabalhar forma de letra.

Para trabalho com mais tinta ou aguarela, o MD Paper Pad A4 Cotton (€20,00) tem fibra de algodão e aguenta muito melhor.

Para praticar em caderno, o MD Notebook A5 liso (€18,00) mantém o trabalho todo junto, o que ajuda a ver progresso ao fim de meses.

Os primeiros exercícios

  1. Linhas verticais paralelas. Uma página inteira, todas à mesma distância e com a mesma inclinação. É mais difícil do que parece e é o exercício mais útil que existe.
  2. Curvas em U e em N. A mesma curva repetida, mantendo altura e largura constantes.
  3. Controlo de pressão. A mesma linha repetida, primeiro com pressão mínima e depois um pouco mais firme, mantendo a espessura constante dentro de cada série.
  4. Só depois, letras. E comece pelas minúsculas, não pelas maiúsculas decorativas, que é o erro habitual.

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A Araujo & Sobrinho tem canetas de pincel, canetas de mergulhar e papel de qualidade em stock, na loja do Largo de São Domingos 55 no Porto. Temos papel à disposição para experimentar antes de comprar, e em caligrafia essa é a única forma honesta de escolher.

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Pessoas Também Perguntam

Preciso de boa letra para fazer caligrafia?

Não. A caligrafia é uma técnica de desenho de letras feita devagar, com pouca relação com a letra corrente, que é rápida.

Caligrafia ou lettering?

Caligrafia é escrever letras com um instrumento que dá variação de espessura. Lettering é desenhar e construir cada letra, mais próximo de ilustração.

Por onde começar?

Por traços, não por letras. Duas semanas de linhas paralelas e curvas iguais valem mais do que dois meses a copiar alfabetos.

Que papel usar?

Papel liso que não deixe a tinta alastrar. Um bloco MD A4 liso (€19,00) é a escolha certa para praticar, porque linhas impressas atrapalham.

Perguntas Frequentes

Preciso de ter boa letra para fazer caligrafia?

Não. A caligrafia é uma técnica de desenho de letras segundo regras de forma e proporção, feita devagar, e tem pouca relação com a letra corrente, que é rápida. Há pessoas com letra ilegível que fazem caligrafia muito bonita.

Qual a diferença entre caligrafia, lettering e boa letra?

Caligrafia é escrever letras segundo um sistema, com um instrumento que produz variação de espessura. Lettering é desenhar letras, construindo e preenchendo cada uma, mais próximo de ilustração. Boa letra é escrita corrente legível e consistente, que não exige instrumento especial, apenas lentidão e consistência de forma.

Que instrumento usar para começar caligrafia?

Uma caneta de tinta permanente com nib fino, como a Kaweco CLASSIC SPORT (€30,00). Exige menos preparação do que qualquer alternativa e usa-se todos os dias, o que multiplica as horas de prática. Um nib fino obriga a menos pressão, e menos pressão é metade do caminho para letra consistente.

Por onde começar a praticar?

Por traços, não por letras. Linhas verticais paralelas à mesma distância e inclinação, curvas repetidas com altura constante, e transições de espessura dentro do mesmo traço. Duas semanas disto fazem mais do que dois meses a copiar alfabetos, porque o problema raramente é a forma da letra e quase sempre o controlo da mão.

Que papel usar para caligrafia?

Papel liso, com superfície que não deixe a tinta alastrar, gramagem que aguente tinta líquida e textura que dê alguma resistência sem travar o instrumento. Um bloco MD A4 liso (€19,00) é a escolha certa para praticar, porque é folha solta e sem linhas impressas a atrapalhar o trabalho de forma.

Referências

Sobre o autor

Miguel Araújo nasceu há 59 anos no edifício da Araujo & Sobrinho, no Porto. Quinta geração de uma das papelarias mais antigas do mundo sempre na mesma família, está há mais de duas décadas à frente da loja e percorre feiras de velharias ao fim de semana à procura de canetas raras e peças de escrita vintage.