O bullet journal chegou à loja por volta de 2016 e trouxe um tipo de cliente novo: pessoas que queriam papel pontilhado e não sabiam explicar porquê, porque tinham visto num vídeo.
Dez anos depois, o sistema sobreviveu à moda, o que é raro. E sobreviveu porque por baixo da estética que se vê nas redes sociais existe um método simples que funciona mesmo, e que não precisa de caligrafia nem de aguarelas.
Este artigo explica o método na versão que interessa a quem quer organizar-se, e depois trata do material.
- O método original, sem decoração
- Os símbolos e o que cada um significa
- A migração mensal, que é a parte que faz o sistema funcionar
- Que caderno e que canetas escolher
O método, sem decoração
O bullet journal foi criado por Ryder Carroll como um sistema de registo rápido em papel. A ideia central é escrever a menor quantidade possível de palavras por entrada e classificá-las com um símbolo.
São quatro componentes:
- Índice, nas primeiras páginas. Vai-se preenchendo à medida que se criam secções, com o número da página. É isto que substitui separadores.
- Registo futuro, para o que tem data marcada mas ainda está longe.
- Registo mensal, uma página com os dias do mês em lista e uma página de tarefas do mês.
- Registo diário, onde se passa a maior parte do tempo. Data, e por baixo as entradas do dia.
Não há páginas pré-impressas nem estrutura fixa. Escreve-se na página seguinte que estiver livre e regista-se no índice. É por isso que precisa de um caderno com páginas numeradas ou de as numerar à mão.
Os símbolos
Cada entrada começa com um símbolo que diz o que é:
- Ponto para tarefa. Risca-se quando feita.
- Círculo para evento, algo que acontece a uma hora.
- Travessão para nota, informação que não é tarefa nem evento.
- Seta para a direita sobre um ponto: tarefa migrada para o mês seguinte.
- Seta para a esquerda sobre um ponto: tarefa movida para o registo futuro.
É tudo. Quem usa o sistema há anos raramente usa mais do que estes cinco.
Que caderno
Três requisitos, por ordem de importância: papel pontilhado, papel que aguente a caneta, e um formato que consiga transportar.
O pontilhado (dot grid) é a escolha padrão porque estrutura sem aparecer. Permite desenhar tabelas e calendários a régua e ao mesmo tempo escrever texto corrido, sem que as linhas dominem a página.
O MD Notebook Journal A5 Dot Grid (€18,00) é o que mais recomendo: papel MD, formato A5, e a lombada abre plana, o que importa porque vai escrever nas duas páginas.
O KOKUYO Soft Ring A5 Dot Grid (€12,00) é a alternativa mais barata e tem uma vantagem específica: a espiral macia deixa dobrar o caderno completamente para trás, o que é útil se escreve em pé ou em transportes.
Que canetas
Uma caneta chega. A tentação de comprar vinte é o que produz cadernos bonitos e abandonados.
Se quiser duas, use uma preta para o conteúdo e um marcador para destacar o que interessa. O KOKUYO Mark+ 2 Way, conjunto de 5 (€15,00) tem duas pontas por marcador, uma fina para sublinhar e uma larga para destacar, em tons suaves que não dominam a página.
Para quem quer destacar cabeçalhos, o Beetle Tip 3 Way Marking Pen, conjunto de 5 (€16,00) tem três pontas por marcador, o que dá espessuras diferentes sem trocar de caneta.
Para desenhar as grelhas mensais a direito, a MIDORI Clip Ruler Silver (€13,00) é uma régua que serve de marcador de página, por isso está sempre onde precisa dela.
Uma lapiseira KOKUYO 0,5 mm (€4,00) é útil para esboçar a estrutura antes de passar a tinta, sobretudo nos primeiros meses.
Produtos em destaque
Material para bullet journal em Portugal
A Araujo & Sobrinho tem cadernos dot grid, marcadores, réguas e lapiseiras em stock permanente, na loja do Largo de São Domingos 55 no Porto. Se está a começar, um caderno e um marcador chegam, e é isso que vou recomendar se me perguntar ao balcão.
Encomendas online para todo o país. Portes grátis a partir de €50.
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O que é um bullet journal?
Um sistema de registo rápido em papel criado por Ryder Carroll: entradas curtas classificadas por símbolos, organizadas em índice, registo mensal e registo diário.
Que caderno usar?
Um caderno dot grid A5 com papel que aguente a caneta. O MD Journal A5 (€18,00) ou o KOKUYO Soft Ring A5 (€12,00) são as duas escolhas que recomendo.
Preciso de saber desenhar?
Não. A decoração que se vê nas redes sociais é opcional e não faz parte do método original. Uma caneta preta chega.
O que é a migração mensal?
No fim do mês, olhar para cada tarefa por fazer e decidir: migrar, adiar ou riscar. É a parte que faz o sistema funcionar e a primeira que se abandona.
Perguntas Frequentes
O que é um bullet journal?
É um sistema de registo rápido em papel criado por Ryder Carroll. Escreve-se a menor quantidade possível de palavras por entrada e classifica-se cada uma com um símbolo. Organiza-se em quatro componentes: índice, registo futuro, registo mensal e registo diário.
Quais são os símbolos do bullet journal?
Ponto para tarefa, círculo para evento, travessão para nota. Uma seta para a direita sobre um ponto significa tarefa migrada para o mês seguinte, e uma seta para a esquerda significa tarefa movida para o registo futuro. Quem usa o sistema há anos raramente precisa de mais do que estes cinco.
Que caderno usar para bullet journal?
Um caderno dot grid em A5, com papel que aguente a caneta e uma lombada que abra plana. O MD Notebook Journal A5 Dot Grid (€18,00) é a escolha padrão. O KOKUYO Soft Ring A5 (€12,00) é a alternativa mais barata e deixa dobrar o caderno completamente para trás.
Preciso de saber desenhar ou fazer caligrafia?
Não. A decoração que se vê nas redes sociais é opcional e não faz parte do método original, que foi criado precisamente para ser rápido. Uma caneta preta chega para usar o sistema todo.
O que é a migração mensal?
No fim de cada mês, olha-se para as tarefas por fazer e decide-se uma a uma: migrar para o mês seguinte, adiar para o registo futuro, ou riscar por já não interessar. É o mecanismo central do sistema, porque obriga a admitir quais são as tarefas que nunca vão acontecer.
