Journaling: Como Começar e Não Desistir
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Journaling: Como Começar e Não Desistir

Porque é que a maioria dos diários morre à terceira semana, e as quatro formas de escrever que sobrevivem. O caderno não é o que faz alguém escrever.

Neste artigo

Quem me pergunta como começar a escrever um diário espera normalmente que eu recomende um caderno. É a pergunta errada, e digo-o com uma loja cheia de cadernos atrás de mim.

O caderno não é o que faz alguém escrever. O que faz alguém escrever é ter decidido antes o que vai lá pôr, e ter baixado o suficiente a fasquia para conseguir cumprir num dia mau.

Vejo muita gente comprar um caderno bonito, escrever três páginas entusiasmadas, e nunca mais lhe tocar. O caderno não teve culpa nenhuma.

O que vai aprender neste artigo
  • Porque é que a maioria dos diários morre à terceira semana
  • Quatro formatos de escrita e qual escolher para começar
  • Como escolher caderno e caneta sem complicar
  • O que fazer quando falha uma semana

Porque é que falha

Há três razões e todas se resolvem antes de comprar seja o que for.

A primeira é a fasquia. Quem começa decide implicitamente que escrever é produzir uma página bem escrita. Ao terceiro dia cansado, não há uma página bem escrita para dar, e como não há meio-termo, não se escreve nada. Duas linhas más contam. É a única regra que interessa.

A segunda é o caderno demasiado bom. Um caderno caro cria a sensação de que o conteúdo tem de estar à altura. Isso paralisa. Se está a começar, um caderno de €13 a €18 é mais do que suficiente e psicologicamente muito mais fácil de estragar.

A terceira é não ter hora. Escrever "quando der" significa não escrever. Escrever sempre no mesmo momento, ligado a outra coisa que já faz todos os dias, funciona.

A regra das duas linhas Comprometa-se com duas linhas por dia, não com uma página. Nos dias bons vai escrever mais sem dar por isso. Nos dias maus cumpre em trinta segundos e o hábito não quebra. É a diferença entre um caderno cheio ao fim de um ano e um caderno abandonado em Fevereiro.

Quatro formas de escrever

Diário corrido

O formato clássico: data no topo, texto livre por baixo. Serve para pensar por escrito e para registar o que aconteceu. É o mais flexível e o que menos estrutura impõe, o que é uma vantagem para uns e um problema para outros.

Precisa de um caderno pautado ou liso. O MD Notebook A5 pautado (€18,00) é o padrão.

Registo de três linhas

Todos os dias, três frases: uma coisa que aconteceu, uma coisa que sentiu, uma coisa a lembrar. É restritivo de propósito e é o formato com maior taxa de sobrevivência entre quem me pergunta.

Funciona bem num caderno pequeno. O MD Notebook A6 (€14,00) chega e cabe no bolso.

Registo de uma linha por dia, vários anos

Uma linha por dia, na mesma página ano após ano. Ao fim de três anos, cada página mostra o mesmo dia em anos diferentes, o que é a coisa mais interessante que um diário consegue fazer.

O MD Notebook Journal A5 Codex 1 Dia 1 Página (€37,00) tem 368 páginas e cobre o ano inteiro, funcionando bem para esta abordagem.

Diário de viagem

Texto misturado com bilhetes, recibos, mapas e desenhos. É o formato que melhor sobrevive porque a viagem cria a ocasião e o material.

Aqui o sistema Traveler's Notebook é imbatível, porque o refill 008 bolso com fecho (€11,00) guarda tudo o que não é escrito, na mesma capa.

Escolher caderno e caneta

Duas decisões, e nenhuma delas precisa de demorar.

Formato. A5 se vai escrever em casa, à mesa. A6 ou B6 Slim se vai escrever fora, em transportes ou em cafés. Escrever de pé num A5 não funciona bem.

Pauta. Pautado se escreve texto corrido e tem letra regular. Quadriculado se mistura texto com listas ou tem letra irregular. Liso se desenha ou cola coisas. O MD Notebook B6 Slim quadriculado (€15,00) é o compromisso que menos limita.

Caneta. A que já tem. Sinceramente. Se ao fim de dois meses ainda estiver a escrever, aí sim vale a pena uma MD Fountain Pen (€44,00), e a diferença vai notar-se porque já tem o hábito para a justificar.

Se quer proteger o caderno que anda consigo, a capa transparente A5 (€6,00) resolve os cantos dobrados.

Quando falha uma semana

Vai falhar. Toda a gente falha.

O erro que mata o hábito não é falhar, é a reacção a falhar: voltar atrás e tentar preencher os dias em falta. Isso transforma o caderno numa dívida e a dívida faz desistir.

Deixe as páginas em branco. Escreva a data de hoje e continue. Um diário com buracos é um diário. Um diário abandonado não é nada.

Produtos em destaque

Onde começar

A Araujo & Sobrinho tem mais de 90 referências de cadernos MD e a linha completa TRAVELER'S em stock, na loja do Largo de São Domingos 55 no Porto. Se estiver indeciso entre formatos, passe pela loja: folhear dois cadernos lado a lado resolve a dúvida em dois minutos.

Encomendas online para todo o país. Portes grátis a partir de €50.

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Pessoas Também Perguntam

Como começar a escrever um diário?

Comprometa-se com duas linhas por dia, não com uma página, e escreva sempre à mesma hora ligada a algo que já faz. A fasquia baixa é o que faz o hábito durar.

Que caderno escolher para diário?

A5 se escreve em casa à mesa, A6 ou B6 Slim se escreve fora. Um caderno de 13 a 18 euros chega, e é psicologicamente mais fácil de usar do que um caro.

O que fazer se falhar uma semana?

Deixe as páginas em branco e escreva a data de hoje. Tentar preencher os dias em falta transforma o caderno numa dívida e faz desistir.

Preciso de uma caneta especial?

Não para começar. Use a que já tem. Se ao fim de dois meses ainda estiver a escrever, aí uma caneta de tinta permanente compensa.

Perguntas Frequentes

Como começar a escrever um diário?

Comprometa-se com duas linhas por dia em vez de uma página, e escreva sempre no mesmo momento, ligado a outra coisa que já faz diariamente. A fasquia baixa é o que permite cumprir nos dias maus, e são os dias maus que decidem se o hábito dura.

Porque é que a maioria dos diários é abandonada?

Por três razões: a fasquia alta demais, que faz com que não se escreva nada quando não há uma página boa para dar; o caderno demasiado caro, que cria a sensação de que o conteúdo tem de estar à altura; e não ter uma hora fixa, porque escrever quando der significa não escrever.

Que caderno escolher para começar um diário?

A5 se vai escrever em casa à mesa, A6 ou B6 Slim se vai escrever fora, em transportes ou cafés. Pautado para texto corrido, quadriculado se mistura texto com listas ou tem letra irregular. Um caderno entre €13 e €18 é suficiente e mais fácil de usar sem receio do que um caro.

O que fazer quando falho vários dias?

Deixe as páginas em branco e escreva a data de hoje. O erro que mata o hábito não é falhar, é voltar atrás para preencher os dias em falta, o que transforma o caderno numa dívida. Um diário com buracos continua a ser um diário.

Preciso de uma caneta especial para escrever um diário?

Não para começar. Use a caneta que já tem. Se ao fim de dois meses ainda estiver a escrever, aí uma caneta de tinta permanente como a MD Fountain Pen (€44,00) compensa, porque já tem o hábito que a justifica.

Referências

Sobre o autor

Miguel Araújo nasceu há 59 anos no edifício da Araujo & Sobrinho, no Porto. Quinta geração de uma das papelarias mais antigas do mundo sempre na mesma família, está há mais de duas décadas à frente da loja e percorre feiras de velharias ao fim de semana à procura de canetas raras e peças de escrita vintage.